A cada dia novas pesquisas sobre o funcionamento do cérebro indicam que a capacidade de aprender não acaba durante toda a vida humana: o cérebro apresenta plasticidade, criando novas conexões e neurônios conforme o exercitamos.
A memória certamente é fundamental para reter informações, funcionando como um “banco de dados” que nós acessamos constantemente. Se não aprendemos nada novo, nós ficamos reutilizando as mesmas conexões repetidamente, e quando tentamos aprender algo novo, temos dificuldade.
Algumas pessoas tem uma memória que se pode considerar mais visual do que auditiva, isto é, retém informações mais facilmente quando lendo ou assistindo do que ouvindo. Outras pessoas, o contrário. Mas para ambos os grupos foi constatado que um catalisador, uma “cola” para a memória é a emoção. Por que lembramos mais dos momentos mais alegres ou mais tristes do que os momentos “mais ou menos”? Por que as pessoas normalmente se lembram onde estavam e o que faziam em momentos de grande comoção (por exemplo, a final da Copa do Mundo de 2002 quando o Brasil ganhou da Alemanha – e o jogo em que o Brasil perdeu no Maracanã para a mesma Alemanha em 2014…)? A emoção faz com que a memória “finque raízes”, tão profundas quanto as emoções vivenciadas naquele momento.
E essa memória pode ser recuperada ou evocada quando algo relacionado àquele momento volta a acontecer: eu me lembro, quando era criança, que eu assistia a desenhos animados na TV e o programa tinha uma música de abertura que começava com “não existe nada mais antigo/ do que caubói que dá 100 tiros de uma vez”; até hoje me lembro da música, e se escutá-la novamente ainda nos dias de hoje, décadas depois, me vem à memória os meus momentos em frente à TV com meus desenhos preferidos.
Todos nós, querendo admitir ou não, em maior ou menor grau, carregamos a criança que fomos dentro de nós. Trazer de volta, mesmo que brevemente, em um outro formato, e com a finalidade de aprendizado, uma experiência boa de infância que vários de nós tivemos, certamente ajuda a cimentar as informações que estamos aprendendo de uma maneira lúdica e, por que não? infantil.

